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Qualidade de vida no idoso com dependência de cuidados – O papel do profissional de Home Care

Por Tarcyo Bonfim.
 
A idade vai chegando e, conforme ela avança, vão chegando também limitações. Estas estão presentes em boa parte da população idosa. São de ordem visual, auditiva, cognitiva, de mobilidade e outras. Algumas pessoas retardam a perda da autonomia com hábitos saudáveis. Possuem uma boa alimentação, uma vida e mente ativas, e um bom controle dos pensamentos e estresse. Mas poucas preservam sua qualidade de vida por um longo tempo. 
Mas como ter qualidade de vida quando as restrições e perda da funcionalidade se apresentam? Primeiramente precisamos definir o que é uma boa qualidade de vida. Estar saudável não é sinônimo de boa qualidade de vida e estar doente também não representa necessariamente uma vida ruim. Essa equação não é matemática. A associação direta nem sempre pode ser feita. Nesse sentido, o conceito está mais associado ao de felicidade, de bem-estar. Logo, estamos diante da subjetividade dos indivíduos de como se sentem.  A Organização Mundial da Saúde (OMS) já define saúde como um bem-estar biopsicossocial. Outros autores acrescentam a perspectiva do espiritual. 
Na busca de simplificar, vou ficar com a sabedoria popular. Em uma entrevista acadêmica, realizada com pessoas de uma comunidade popular em Salvador, quando ainda era estudante de medicina, uma senhora de 92 anos me respondeu ao ser perguntada o que era saúde: “Saúde é vida, vida bem vivida”. Vi claramente com a resposta que qualidade de vida é vida de qualidade. Simples assim, saber viver é o que importa. 
E como nós profissionais do Home Care, da Atenção Domiciliar, podemos auxiliar aos nossos pacientes com limitações a terem uma vida com mais qualidade?
Falar a respeito deste assunto, responder a esta pergunta em um artigo é algo desafiador. Isso é tema de um livro! Mas podemos responder com os princípios, que todos nós profissionais do cuidado em saúde e do cuidado no domicílio devemos estar conscientes e vigilantes. O primeiro princípio é que a qualidade de vida é uma percepção individual e, como tal, o que é bom para mim, não necessariamente é bom para o outro. O segundo princípio é que a vida de qualidade é uma história construída ao longo do tempo, cujo autor é o sujeito vivente e somente ele pode ressignificá-la. O terceiro princípio é que nós somos servos do cuidado e temos as limitações momentâneas da ciência e da natureza. O quarto é que a nossa oferta mais preciosa é a nossa atenção genuína. 
Com esses princípios no pensamento e no coração, nosso fardo torna-se mais leve e teremos a condição de servir com mais sabedoria, respeitando o outro em todas as suas singularidades. Podendo ofertar a ele não só o que precisa, mas o que ele quer e pode receber como tratamento. Com esses princípios, podemos dizer a palavra certa no momento certo e auxiliar na vitória das limitações e das lamentações, pois mais prejudicial ao ser humano são as limitações espirituais impostas por nós mesmos. Por isso não podemos permitir que as limitações físicas se transformem nas limitações da alma, dos nossos sonhos e das nossas esperanças. 
Com essa consciência ampliada, observamos que quando um movimento é restaurado, uma nova etapa da reabilitação é vencida, não significa só o físico se estabelecendo, mas sim um novo sentido à vida está sendo dado. Pois com o outro, pelo outro e para o outro é que a vida galga sua qualidade. Assim vamos crescendo e fazendo também da nossa vida uma vida de qualidade. 
Mas nem sempre é possível reabilitar o físico, ou vencer qualquer etapa da dependência de cuidados. Isso é mais comum do que imaginamos, porém é aí onde mais podemos contribuir com a qualidade de vida. Pois a vida não se limita a nossa autonomia na realização das nossas atividades. A vida existe a todo o tempo e a todo o tempo estamos vivendo. A todo o tempo a história de um ser estar sendo construída e a todo tempo estamos aprendendo. Onde mora a dor mora a vida, mesmo após a morte, mesmo quando os sentidos se esvaem. Sempre há o que nascer, o novo a se fazer presente. Nos momentos de desesperança é no novo que devemos nos concentrar, é aí que mora a qualidade de vida, a vida de qualidade. 
Assim podemos verdadeiramente auxiliar o outro. Sendo jardineiros da vida, fazendo florescer o novo em cada oportunidade de servir e cuidar.  Bem vinda a nova idade!!!